Trabalhos Científicos
 


ANTECIPAÇÃO DE DESSECAÇÃO DE ERVAS DANINHAS NO PLANTIO DIRETO NA CULTURA DO MILHO

JOSÉ MESSIAS MIRANDA1
SERGIO A ALEXANDRINO2
ERIK BUENO BORGES3

I. INTRODUÇÃO

O sistema de plantio direto teve seu início nos Estados Unidos por um agricultor do Estado do Kentucky, há mais de 35 anos.
A história do plantio direto no Brasil é relativamente recente. Ela iniciou-se no Estado do Paraná 1971, quando o Instituto de Pesquisas e Experimentação Agropecuária Meridional do Ministério da Agricultura (IPEAME) realizou pesquisas pioneiras em Londrina e Ponta Grossa; também em 1972, a ICI do Brasil procedia as primeiras demonstrações de plantio direto em lavouras de feijão e soja, no norte do Paraná; em 1976, o IAPAR através de acordo com a ICI, iniciou um projeto de pesquisa objetivando avaliar agronomicamente e economicamente o sistema de plantio direto comparando-o com o convencional.
Quando se fala em plantio direto, torna-se necessário definir o termo com precisão e clareza, no intuito que todos consigam entender a mesma linguagem. Nesse sentido, podemos definir plantio direto como sendo um sistema ou processo de semeadura em solo não lavrado, no qual a semente é inserida ao solo, utilizando equipamentos específicos, onde somente é aberto um sulco ou cova com largura e profundidade adequada, mantendo satisfatórias a cobertura e o contato da semente com a terra.

1 Eng. Agr. Msc. Professor da UNIFENAS messiasmiranda@uol.com.br
2 Eng. Agr. Pesquisador Monsanto
3 Agronomando da UNIFENAS borges@uol.com.br

O sistema admite excepcionalmente cultivos mínimos leves objetivando uma descompactação superficial, desde que preserve a cobertura viva ou morta na superfície (CARDOSO, 1998).
O objetivo deste trabalho é estudar a época de antecipação da dessecação de ervas daninhas para formação de matéria seca, destinada ao plantio direto do milho.

II. REVISÃO DE LITERATURA

2.1. Comportamento das plantas daninhas em sistema de plantio direto:

Planta daninha é qualquer vegetal crescendo onde não é desejado (LORENZI, 1982), mas o responsável pela existência das plantas daninhas é o próprio Homem, que, através da seleção artificial das plantas úteis, retirou-lhes a agressividade necessária para viverem sozinhas, as plantas daninhas foram selecionadas pela natureza no sentido inverso, tornando-se muito mais agressivas e mais resistentes sob as mais diferentes condições adversas (LORENZI, 1984).
A disseminação das plantas daninhas pode ser feita por agentes como o ar (anemocoria), a água (hidrocoria), os animais (zoocoria) e o homem (antropocoria), que é um dos mais importantes agentes de disseminação (LUIZ CARLOS TASSO JÚNIOR, 2000).
As sementes de plantas daninhas, de um modo geral, apresentam alta longevidade, ou seja, são capazes de sobreviver, durante muitos anos no solo, sem germinar. A dormência se constitui num mecanismo de sobrevivência da espécie (LORENZI, 1984).
O trabalho científico tem evidenciado um aumento na densidade e no número de espécies perenes (ALMEIDA, 1981) de plantas daninhas, pois os herbicidas com princípio ativo (glifosato e paraquat) não controlam essas plantas.
Com relação às plantas daninhas anuais, existe uma tendência de uma ocorrência menor no sistema de plantio direto se comparada com o convencional (LORENZI, 1984).
Além dos benefícios na conservação do solo, manutenção da umidade, a cobertura morta exerce uma diminuição da emergência das plantas daninhas, que é atribuída a um impedimento físico da camada vegetal. Portanto, a espessura e a facilidade de decomposição da cobertura morta são de extrema importância no plantio direto (ALMEIDA, 1981).
Alguns pré-requisitos devem ser atendidos na implantação do sistema de plantio direto, alguns deles, estando intimamente ligados ao controle das plantas daninhas.
O controle eficiente das plantas daninhas é absolutamente necessário no plantio direto. A eliminação das ervas ocorrem antes da semeadura, é feita com uso de herbicidas dessecantes. O uso do gliphosate, por suas características, é indicado para áreas onde as espécies estejam bastante desenvolvidas (LUIZ CARLOS TASSO JÚNIOR, 2000).
Atualmente, vários herbicidas são utilizados no manejo do sistema de plantio direto, suas dosagens e aplicações são definidas avaliando diversos fatores como tipo de ervas infestantes, a quantidade de ervas, o teor da matéria orgânica do solo, porte das plantas, cultura a ser implantada, época do ano, entre outras. Paraquat, diquat, MSMA, Diuron, 2,4-D amina, glyphosate puros ou em misturas de fábrica.
O uso de cobertura verde ou morta de restos vegetais visando o controle de plantas daninhas é o exemplo mais antigo do aproveitamento econômico da alelopatia (OVERLAND, 1966).
A inibição alelopática exercida por restos de culturas ou plantas em decomposição sobre plantas daninhas, plantas cultivadas e microrganismos do solo é um fator bastante generalizado na natureza (TOURNEAU et al. 1956).
A semeadura direta sobre a palhada da cultura anterior sem o revolvimento do solo são pontos básicos do plantio direto. Esse material vegetal, em decomposição sobre o solo influencia os micro e macroorganismos que nele vivem, incluindo as plantas e suas sementes (ALMEIDA, 1984).
O fator de maior importância para vida microbiana é a maior disponibilidade de matéria orgânica, pois é onde são extraídos a energia, elementos minerais e orgânicos para realização de seus processos vitais.
MUZILLI (1983) comparou o sistema de plantio direto e convencional durante 5 anos e constatou um maior teor de matéria orgânica no sistema de plantio direto, devido a uma atividade microbiana mais elevada.
A população macrobiana inclui nematóides, moluscos, anelídeos, artrópodos, etc. Numericamente inferiores aos microorganismos, mas desempenham papel importante na biologia do solo. Alimentam-se, direta ou indiretamente, das plantas e animais vivos ou mortos, contribuindo para degradação desse material que são aproveitados por outros seres vivos do solo.
Dado o efeito físico das coberturas mortas na quebra de dormência das sementes e dos alelopáticos na densidade e constituição específica do complexo florístico do terreno, surge a hipótese de que, com algumas destas, se possa conseguir uma população de ervas que dispense ou diminua a necessidade de uso de herbicidas nas culturas que nelas se instalem (ALMEIDA, 1984).
Na cobertura vegetal (palhada) , foi utilizado uma única aplicação de herbicida sistêmico, com a finalidade de erradicação da mesma (eliminação da soqueira). Após a implantação da cultura não foi utilizado nenhum herbicida para conter a emergência, pois não houve ataque suficiente para comprometimento da produtividade da cultura implantada.

2.2. Influência do plantio direto na fertilidade do solo e na eficiência de aproveitamento dos nutrientes pelas plantas:

O sistema de plantio direto proporciona mudanças nas propriedades biológicas, físicas e químicas do solo, cujas conseqüências atingem a fertilidade, disponibilidade dos nutrientes no solo e sua absorção pelas plantas.
CANNEL & FINNEY (1973) na Inglaterra, faz referência ao fato de que o plantio direto, quando praticado por vários anos proporciona maiores incrementos nos teores de matéria orgânica na camada arável do solo do que o plantio convencional.
No sistema de plantio direto ocorre uma maior deficiência de nitrogênio, principalmente, quando faz plantio de gramíneas (milho), em decorrência do movimento descendente da água a favorecer a maior lixiviação de nitratos, já que a não movimentação do solo, nesse sistema de plantio, evita a quebra da capacidade; por outro lado, haveria menor taxa de mineralização da matéria orgânica, a favorecer menor disponibilidade de nitrogênio em sistema de plantio direto. Prevalecendo tais condições, a necessidade de aumento da adubação nitrogenada. Quando a cultura anterior for uma leguminosa como a soja, esta deficiência de nitrogênio é menos acentuada (MASCARENHAS, et al. 1978).
Com relação aos índices de fósforo solúvel na camada arável do solo comparando-se plantio direto e convencional, constatou-se um acúmulo mais sensível no sistema de plantio direto, sobretudo nos cinco primeiros centímetros de profundidade. Isso se explica pela baixa mobilidade e solubilidade dos seus compostos, sobretudo, em solos de natureza ácida e contendo altos teores de argila.
Com essa maior disponibilidade e o melhor aproveitamento deste macronutriente em plantio direto, possibilita com o passar do tempo reduzir a quantidade de adubos fosfatados e por conseqüência uma redução nos custos de produção, sem afetar a produtividade da cultura.
Comparando-se a distribuição do elemento potássio na camada arável do solo nos sistemas de plantio direto e convencional, constatou um acúmulo considerável na camada superficial do solo no sistema de plantio direto. Apesar disso, não se recomenda redução de dosagens em relação ao sistema convencional, pois no solo possui alta solubilidade e como no sistema de plantio direto ocorre uma maior infiltração de água, o elemento potássio se redistribui rapidamente ao longo do perfil da camada arável.
A distribuição e acumulação de Cálcio e Magnésio trocáveis mostram uma tendência de acumulação superficial da camada arável do solo, mas isso não significa diminuição gradativa da disponibilidade nas camadas mais profundas do solo.
BLEVINS, et al. (1977 e 1978), não se constatou a ocorrência de acidificação mais acentuada no solo sob plantio direto. Após vários anos de cultivo, os valores de pH encontrados em plantio direto ainda se mostram iguais, ou superiores, aos verificados em plantio convencional.
PAVAN (1985) ressalta que em plantio direto, a tendência de acidificação é menor em virtude da mineralização mais lenta e gradativa do material orgânico acumulado na superfície do terreno não proporcionar a acumulação intensiva de ácidos orgânicos na camada arável, além do maior teor de umidade promover a diluição da concentração dos ácidos liberados.
CARDOSO (1998) é da maior importância que se corrijam previamente os principais fatores que limitam a produção. Tanto o solo como o subsolo devem estar corrigidos de modo a neutralizar o alumínio tóxico e a elevar a disponibilidade de cálcio em toda a massa na qual desenvolverão as raízes. Para que a correção com cálcio e magnésio ocorra nas camadas mais profundas do solo, recomenda-se utilizar um calcário bem reativo, ao lado do gesso, mantendo uma relação Cálcio:Magnésio próximo a 4:1. O gesso possui uma movimentação rápida no solo, e além de acelerar o processo de infiltração do calcário para neutralizar o alumínio tóxico, tem propriedades aglutinantes da argila dispersa. Uma boa proporção entre os dois corretivos é a proporção 3:1, mas isso não é fixo, pois devemos levar em consideração os cálculos da análise do solo.

2.3. Plantio direto x Plantio convencional e sua relação com o comportamento físico do solo:

Vários fatores definem as características físicas de um solo em seu estado natural, como a rocha matriz, processo pedogenético, tipo de vegetação natural, entre outros. Quando este solo passa a ser utilizado com a agricultura, outros fatores passam a influenciar diretamente no comportamento físico que são o seu uso e manejo que geralmente possui direção oposta da natural e que dependendo da forma de implantação podem gerar situações positivas ou negativas.
Situações positivas podemos citar o manejo de solos de várzea e solos compactados e situações negativas onde o solo apresentava ótimas condições naturais e após poucos anos de uso, passam a apresentar problemas de estrutura, infiltração de água, crescimento radicular, etc. (VIEIRA, 1985)
De modo geral, quatro fatores principais da atividade de preparo de solo que atuam sobre as características físicas, são eles:

· Intensidade de revolvimento ou trânsito: diz respeito a todas as operações de revolvimento e mecanização sobre uma determinada área durante um período de tempo.
· Tipo de equipamento utilizado: sua forma de atuação no solo, sua distribuição de peso na área de atuação e sua influência nas características de cada solo.
· Manejo dos resíduos vegetais: a quantidade e a qualidade dos resíduos vegetais bem como a sua forma de manejo, atuam diretamente sobre o preparo do solo, pois estando as características físicas ligadas diretamente a biologia do solo.
· Condições do solo no trabalho: podemos destacar como sendo o fato principal, pois nenhum fator é capaz de alterar tanto a estrutura do solo em tão pouco tempo quanto o trabalho do solo com umidade inadequada a atividade que está realizando, principalmente em solos argilosos (VIEIRA e MUZZILI, 1985).

Em áreas sob plantio direto tem se verificado maior estabilidade dos agregados do solo até uma profundidade de 15 cm (VIEIRA e MUZZILI, 1984).
Pode-se observar que no solo sob plantio direto predominam as classes de agregados com maior diâmetro enquanto no preparo convencional as maiores freqüências são observadas nas classes de menor diâmetro (VIEIRA, 1985).

2.4. Capacidade de infiltração de água no solo quando se comparam o sistema de plantio direto e plantio convencional:

No que diz respeito a capacidade de infiltração da água no solo vários fatores influenciam como a textura, porosidade, condutividade hidráulica, cobertura vegetal, cobertura morta, estabilidade dos agregados entre outras.
ROTH e MEYER (1983) e ROTH e DERPSCH (1984), observaram maiores taxas de infiltração em plantio direto e menores taxas de plantio convencional.
VIEIRA e MIZZILI (1984) no entanto, mediram menores taxas de infiltração sob plantio direto do que em convencional com condições semelhantes.
SIDIRAS et alii (1984) concluiu que o preparo convencional era 42 vezes mais susceptível à desagregação e salpicamento causados pelo impacto das gotas de chuva. O efeito positivo da cobertura morta em plantio direto, aumentando a infiltração foi mostrado por ROTH e VIEIRA, 1984).

2.5. Intensidade do ataque de pragas na relação plantio direto X plantio convencional nas culturas de soja e milho:

No sistema de plantio direto, MUSICK (1970) diz que tem o favorecimento do desenvolvimento de pragas.
Os níveis de incidência da lagarta da soja, da lagarta falsa medideira e a broca das axilas foram avaliados por CARVALHO (1981) e FERREIRA (1984), e constataram semelhança com ambos os sistemas, demonstrando que o sistema de plantio direto não alterou a sobrevivência dessas lagartas.
CARVALHO (1981) observou que na soja, no sistema de plantio direto, teve seu ciclo aumentado, o que submeteu a cultura por um maior tempo ao ataque de percevejos.
Estudando o comportamento da lagarta enroladeira, FERREIRA (1984) afirma que o pico populacional da praga no plantio direto foi maior, mas também foi mais retardado, não se verificando diferenças quanto ao rendimento.
As principais pragas que ocorrem na cultura do milho são lagarta elasmo, lagarta do cartucho e a lagarta da espiga, e tanto os seus ataques quanto os prejuízos causados à cultura tiveram maiores índices no plantio convencional do que no sistema de plantio direto (BIANCO, 1985).

2.6. Sistema de rotação de culturas em área de plantio direto:

A Rotação de Culturas pode ser definida como uma prática agrícola que visa alternar, em uma mesma área, diferentes culturas seqüenciais previamente definidos. DERPSCH (1985) considera a rotação de culturas como sendo a sucessão ordenada de diferentes culturas num espaço de tempo, na mesma gleba.
A rotação de culturas apresentam inúmeras vantagens dentre as quais podem ser citadas:

· contribui para a manutenção e melhoria da fertilidade;
· contribui para o controle de pragas, moléstias e plantas daninhas;
· proporciona a viabilização da diversificação de culturas na propriedade;
· melhoria da produtividade das culturas envolvidas;
· redução dos custos de produção e por conseqüência maximização dos lucros.

DERPSCH (1985) assegura que a utilização efetiva de sistemas de rotação de culturas podem controlar a erosão, conservar a umidade do solo, reduzir o dispêndio de fertilizantes e ampliar os períodos de utilização de máquinas e equipamentos.
O sistema de rotação de cultura é de fundamental importância para diminuição da deficiência de nitrogênio na cultura de milho quando a cultura anterior for uma leguminosa.
Para evitar o efeito alelopatico e possíveis fitotoxidez do herbicida pós emergente, à necessidade de antecipar o período de dessecação. E estudar a formação antecipada de matéria seca para posterior implantação do plantio direto na cultura do milho.

III. MATERIAIS E MÉTODOS

3.1. Local:

Os experimentos foram realizados na Fazenda Vitória, localizada no município de Alfenas, de propriedade da Universidade José do Rosário Vellano - UNIFENAS, no Sul de Minas Gerais, com posição geográfica definida pelas coordenadas de 21º21'33" de latitude Sul, 45º54'42" de longitude Oeste e latitude de 882 m (IBGE, 1984). O clima é caracterizado por subtropical úmido (Golfari, 1975). O solo Latossolo Vermelho-Escuro com textura média, pH 6,7 e saturação por base de 72,9% e teor de Ca + Mg com 5,8 cmlc.dm-3, não necessitando fazer calagem.

3.2. Tratamentos

Foram estudados duas épocas de dessecação com três combinações diferentes de herbicidas em comparação com o padrão, desseque e plante.

Tabela 1. Tratamentos utilizados no ensaio de antecipação do controle de ervas daninhas no plantio direto na Fazenda Vitória Alfenas MG.

Tratamentos
Época de dessecação
Herbicida utilizado
DosagemHectare
1. Testemunha
0 dia
Roundup Transorb
Atranex 500 SC
2,5 litros
6,0 litros
2.
14 dias
Roundup Transorb
Atranex 500 SC
2,5 litros
6,0 litros
3.
14 dias
Roundup Transorb
Roundup WG
Atranex 500 SC
2,5 litros
0,5 quilos
6,0 litros
4.
14 dias
Roundup Transorb
Roundup WG
Kadett CE
Atranex 500 SC
2,5 litros
0,5 quilos
3,0 litros
3,0 litros
5.
28 dias
Roundup Transorb
Atranex 500 SC
2,5 litros
6,0 litros
6.
28 dias
Roundup Transorb
Roundup WG
Atranex 500 SC
2,5 litros
0,5 quilos
6,0 litros
7.
28 dias
Roundup Transorb
Roundup WG
Kadett CE
Atranex 500 SC
2,5 litros
0,5 quilos
3,0 litros
3,0 litros


3.3. Delineamento experimental

O delineamento experimento utilizado foi o de blocos casualizados, com três repetições, sendo cada parcela composta de oito ruas de 5 metros de comprimento, espaçadas de 0,85 metros entre linhas e foram colhidas as quatro centrais das parcelas.

3.4. Híbrido e adubação utilizada

Utilizou para o plantio o híbrido simples AG 7575 na razão de 58000 sementes de milho por hectare, espaçadas de 0,85 metros entre linhas.
A adubação foi a de 400 quilos por hectare da fórmula 08:24:12 acrescida de 0,5% de sulfato de zinco. Para a realizadas deste plantio utilizou-se a semeadora Exata Jumil de quatro linhas.
Para a adubação de cobertura foi utilizado a fórmula 30:00:20, Fertipar, realizado quando as plantas atingiram o oitavo par de folha, na razão de 300 quilos por hectare.

3.5. Dessecação

Primeiramente foi realizado um corte das plantas daninhas com uma trincha, para posterior dessecação da rebrota. A aplicação dos herbicidas de dessecação foi realizado nos dias 31/10/2002 para os tratamentos com 28 dias antes, 14/11/2002 para 14 dias de antecipação e 28/11/2002 para o tratamento controle que desseque e plante.
Os herbicidas pre-emergentes foram aplicados imediatamente após o plantio definitivo dos ensaios, 28/11/2002.

3.6. Atributos avaliados

3.6.1. Percentagem de controle

O percentual de controle das ervas daninhas foram avaliados em 31/10/2002, 14/11/2002, 28/11/2002, 11/12/2002 e 28/12/2002, determinando a quantidade de ervas daninhas não controladas pelas aplicações dos diversos herbicidas.

3.6.2. 'Stand' inicial e final

O 'Stand' inicial ou de plantio foram de 58000 sementes por hectare e para tal utilizou-se uma semeadora Exata Jumil de quatro linhas. Trinta dias após, 28/12/2002, foi realizado a contagem de plantas estabelecidas e posteriormente na colheita, 09/04/2003, a contagem e determinação do 'Stand' final.

3.6.3. Avaliação da produtividade

A colheitas das parcelas foram realizadas no dia 09/04/2003, utilizando as quatro ruas centrais e desprezando meio metro no seu início i final, constituindo uma área útil colhida de 13,6 metros quadrado. Realizou-se a colheita de todas espigas, através de um debulhador a obtenção do peso total de grãos e posteriormente a determinação da umidade para as devidas correções.

VI. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados das produções de milho em grão, as percentagens de controle de ervas daninhas e o 'Stand' inicial e final de plantas estabelecidas referentes aos tratamentos utilizados, bem como as análises de variância e testes de comparação de médias, Tukey, são apresentados no anexo.

4.1. Percentagem de controle

As percentagens de controle das ervas daninhas no início e final dos tratamentos utilizados no ensaio de antecipação de controle de ervas daninhas no plantio direto são apresentados na Figura 1. O tratamento padrão, desseque e plante, com relação ao controle de ervas daninhas foi o que apresentou melhores resultados, tanto inicial como final (95 e 93,3%). Com relação ao controle final das ervas daninhas destaca-se os tratamentos Roundup transorb 2,5 l/há + Roundup WG 0,5 kg/há + Atranex 500 SC 6,0 l/há aplicados com 28 e com 14 dias de antecipação (92,3 e 91,7).

Figura 1. Percentagens iniciais e finais de controle de ervas daninhas no ensaio de antecipação de controle de ervas daninhas no plantio direto na Fazenda Vitória, Alfenas MG.

4.2. 'Stand' inicial e final

O número de plantas iniciais e finais obtidas nos tratamentos do ensaio de antecipação no controle de ervas daninhas no plantio direto são apresentados na Figura 2. No tratamento padrão, desseque e plante o número de plantas estabelecidas foi significativamente inferior aos demais, provocando uma redução de 21% no 'stand' final ou plantas colhidas.

Figura 2. Número de planta iniciais e finais estabelecidas nos tratamentos do ensaio de antecipação do controle de ervas daninhas no plantio direto na Fazenda Vitória, Alfenas MG.

4.3. Produção de milho grão

A produção de milho grão em quilos por hectare dos tratamentos do ensaio de antecipação do controle de ervas daninhas no plantio direto são apresentados na Figura 3. Os tratamentos Roundup transorb 2,5 l/ha + Roudup WG 0,5 kg/ha + Atranex 500 SC 6,0 l/há com 28 dias de antecipação (6759,64 kg/ha); tratamento Roundup transorb 2,5 l/ha + Roundup WG 0,5 kg/ha + Atranex 3,0 l/ha + Kadett CE 3,0 l/ha com 28 dias de antecipação (6618,20 kg/ha) e o tratamento Roundup transorb 2,5 l/ha + Roundup WG 0,5 kg/ha + Atranex 3,0 l/ha + Kadett CE 3,0 l/ha com 14 dias de antecipação (6365,15 kg/ha) foram os mais produtivos, destacando dos demais p < 0,01. O tratamento padrão Roundup transorb 2,5 l/há + Atranex 500 SC 6,0 l/há desseque e plante (4726,58 kg/há) foi o que apresentou menor produtividade, provavelmente seja devido a reflexo da perda no número de plantas estabelecidas.

Figura 3. Produção em quilos de milho grão por hectare dos tratamento do ensaio de antecipação do controle de ervas daninhas no plantio direto, na Fazenda Vitória, Alfenas MG.

V. CONCLUSÃO

As dessecações antecipadas com 28 e 14 dias antes do plantio destinadas ao plantio direto foram superiores ao método desseque plante, p < 0,01.
Quando comparamos a dessecação com 28 dias antes do plantio diretoobteve-se uma diferença de 30% superior ao tratamento desseque e plante. Em relação a dessecação 14 dias antes do plantio obtive-se 19,6% acima em produtividade do método desseque e plante.
Os tratamentos Roundup transorb 2,5 l/ha + Roudup WG 0,5 kg/ha + Atranex 500 SC 6,0 l/há com 28 dias de antecipação (6759,64 kg/ha); tratamento Roundup transorb 2,5 l/ha + Roundup WG 0,5 kg/ha + Atranex 3,0 l/ha + Kadett CE 3,0 l/ha com 28 dias de antecipação (6618,20 kg/ha) e o tratamento Roundup transorb 2,5 l/ha + Roundup WG 0,5 kg/ha + Atranex 3,0 l/ha + Kadett CE 3,0 l/ha com 14 dias de antecipação (6365,15 kg/ha) foram os mais produtivos, destacando dos demais porém não diferindo estatisticamente entre si, p < 0,01.
Todos os tratamentos tiveram um bom resultado em relação ao percentual de controle de ervas daninhas, acima de 85% até o momento da colheita.
No tratamento padrão, desseque e plante o número de plantas estabelecidas foi significativamente inferior aos demais, provocando uma redução de 21% no 'stand' final ou plantas colhidas.

VI. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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